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fim observarmo-nos mutuamente, um no fundo e outro na cabeça de uma garrafa, podemos ser uma casa ou um abrigo qualquer, um alpendre onde os animais se possam guardar, onde as aves possam morrer. podemos segurar-nos um ao outro antes que os nossos corpos envelheçam, e eu posso-te beijar os ombros e assegurar-te as minhas mãos, podemos comer toda esta fruta; as maçãs, para ti, as laranjas, para mim, e posso olhar-te à distância, os lábios e os dentes e a língua trincando as maçãs, lendo um livro qualquer com o chapéu e com o cabelo e com as unhas e as mãos, à distância apetece-me adormecer no teu cheiro, podemos presumir que o mundo está morto e que a única coisa que resta é o teu corpo; entretanto um gato atravessa de uma margem para a outra num toro de madeira flutuante. |